sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

12 Angry Men (1957)


"12 Angry Men" é um clássico de 1957, conta com a participação de Henry Fonda, Lee J. Cobb e Martin Balsam. É realizado por Sidney Lumet, director de Dog Day Afternoon (1975), Network (1976) e mais recentemente Before the Devil Knows You're Dead (2007). 


A defesa e a acusação descansam enquanto o júri se reúne para decidir se um jovem hispano-americano é inocente ou culpado do assassinato de seu pai, sob pena de morte. O que começa como um caso praticamente decicido sobre a culpa do acusado, torna-se num drama para cada um dos jurados, que apresentam preconceitos contra o acusado, o julgamento e contra os outros jurados. Baseado numa peça, todo o filme é concentrado na sala do júri.

"12 Angry Men", apesar de centrado e de ter como cenário apenas a sala dos júri, é uma história bastante intensa que nos faz (espectadores) concordar e discordar de opiniões, tomar partidos.
Todos os jurados, que pensavam já ter o caso como resolvido vêem-se num drama enorme de descargas de opiniões, horas após horas e poucas conclusões, muitas votações, insultos e nervos.
A grande representação de todos os actores e os diálogos brilhantes tornam este filme bastante enérgico, e nada cansativo. 
A banda sonora que sustem e envolve todos os diálogos cria um elemento a parte mas que inspira cada cena para um suspense e intensidade capaz de agarrar o espectador.

Altamente recomendado! Retirem qualquer tipo de barreira em relação aos filmes clássicos e a preto e branco, pois vale a pena.

Nota: 5 / 5

Escrito por: Sandro Branco

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Crazy Heart (2009)



"Crazy Heart" é o primeiro trabalho de realização por parte de Scott Cooper e conta com a participação de Maggie Gyllenhaal, Colin Farrell e Jeff Bridge que ganhou com este filme o Oscar para melhor actor.


Bad Blake (Jeff Bridge), conduz-nos pela vida de um astro da musica country, interpelado pela decadência da idade e pela árdua magoa da solidão da estrada.
O alcool e a selvajaria do seu coração vão-no traindo, até encontrar Jean (Maggie Gyllenhaal), uma jornalista que descobre o homem por trás da máscara do country, e lhe oferece a oportunidade de escolha e redenção. 

A triste e já pesada vida de Bad Blake, que o atira sozinho conduzindo uma pick-up de estado para estado, acompanhado pelo álcool e cultura country leva Jeff Bridge a um dos, senão o melhor, papel da sua carreira que na academia o destacou com o Prémio Oscar para melhor actor.
Um Drama que demonstra o mundo desconhecido de uma longa carreira, de um dinossauro do country que não suportou a evolução da época, sujeitando-se a muitas peripécias para sobreviver no mundo actual. 
"Crazy Heart" contém uma banda sonora fantástica e bem trabalhada, totalmente adaptada ao filme, e que consegue transmitir todas as emoções do momento.
É sem duvida uma comovente história de amor e paixão bem estruturada, envolvida na musica country, que nos faz pensar e entrar dentro da personagem sentido muitas das vezes pena, e até vontade que as suas atitudes se alterem para o diferente seguimento da história.


Para fãs da musica country e do desconhecido mundo da musica, "Crazy Heart" é um filme que nos segura ao ecrã. Uma esplêndida interpretação de Jeff Bridge que teve o justo reconhecimento da Academia em Hollywood. 


Nota: 3,8 / 5

Escrito por: Sandro Branco

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Enter The Void (2010)


Gaspar Noé, realizador responsável por "Irréversible" (2002) e "Seul contre tous" (1998), traz-nos mais um impressionante filme, "Enter The Void" que conta com a participação de Nathaniel Brown, Paz de la Huerta e Cyril Roy.

Óscar (Nathaniel Brown) é um Americano traficante de droga em Tóquio que durante uns tempos angariou dinheiro para levar a sua irmã Linda (Paz de la Huerta) para perto dele. 
Num acto de raiva e traição Óscar é morto pelas autoridades locais e o seu espirito, numa "outer-body experience", vagueia pela cidade de Tóquio, pelas mentes de determinadas personagens, demonstrando a decadência de uma perda e a influência dos diferentes estilos de vida.

"Enter The Void" é um filme experimental extra sensorial, que enfatiza todo o poder da luz, do som e da imagem. 
Inicialmente, Gaspar Noé, leva-nos para dentro da mente de Óscar, sendo os seus olhos, os nossos olhos. É extremamente fantástico todos os pormenores que com isso, nos é oferecido, mostrando todo o realismo e fanatismo em fazer-nos sentir na personagem. As experiências com drogas de Óscar alteram todo o cenário (a distorcer), toda a luz (cada vez mais forte e o destaque das cores), o som (cada vez mais pesado e longínquo), criando uma imagem hipnótica e que nos faz despertar sensações, que em certos momentos, simulam todas as sensações que o realizador Gaspar Noé nos quer transmitir através da personagem Óscar.
Assim que o espírito de Óscar começa a passear livremente pelas memórias, e pelo pecado de Tóquio, "Enter The Void" perturba-nos com as difíceis, e degradantes imagens do ser humano, sem dó nem piedade. Desde os incidentes mais tristes, as separações, a tranquilidade que muitas vezes é possível em cenários horríveis e até as cenas de sexo que sem qualquer pudor, Gaspar Noé, transmite ao espectador, são os exemplos da falta de piedade do realizador.
Pela complexidade do filme, é de notar a representação de todos os actores que sem eles todo este realismo, todo o hipnotismo, toda aquela sensação de estar a viver aquela história não seria possível. A naturalidade dos acontecimentos, das reacções de cada personagem são um marco em cada filme de Gaspar Noé, e "Enter The Void" não é excepção.
Como já referi em cima, com exemplos concretos de determinadas cenas, a técnica deste filme é formidável, a destacar sem duvida toda a luz e efeitos que nos são projectados nos olhos com uma tremenda violência e a imagem "First Person" que está repleta de pormenores e não demonstra qualquer falha.

Um filme, aconselhado a quem não tem qualquer problema em novas experiências visuais e sensoriais. Considero um filme Impressionante.

Nota: 4 / 5

Escrito por: Sandro Branco